O ex-candidato do PV ao governo de Minas Gerais, José Fernando Aparecido, vai declarar seu apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff à presidência em ato nesta sexta-feira (22) junto da coordenação da campanha de Marina Silva no Estado. Marina foi a presidenciável mais votada em Belo Horizonte com mais de 560 mil votos. Segundo o presidente do PT de Minas, Reginaldo Lopes, uma pesquisa interna indica que pelo menos dois terços desta votação deve ir para Dilma no segundo turno.
"Esse apoio é importante pelo simbolismo que têm e para consolidar que este eleitorado com preocupações com o meio ambiente vota em Dilma", sustenta Lopes. Em outros dois colégios eleitorais importantes, o apoio de ex-candidatos verdes foi para o presidenciável tucano José Serra. Fernando Gabeira (PV - RJ) e Fábio Feldmann (PV - SP) estão com o PSDB. Lopes evita opor as duas forças e defende que "os votos de Marina são orgânicos, não são partidários".
O candidato derrotado e atual deputado José Fernando diz que a opção por Dilma foi feita após uma negociação na qual a campanha da petista se comprometeu a incluir no programa questões específicas de políticas na área de mineração. A posição é também uma postura contra os tucanos: o ex-governador Aécio Neves e o governador reeleito Antonio Anastasia.
- Até agora não fui procurado pelo PSDB, mas eu defendo essa pauta há anos aqui no Estado e, se o PSDB de Minas não me deu apoio, vou ter do PSDB de São Paulo (estado de Serra)? - critica.
Dilmasia
Lopes defende ainda a continuidade do "Dilmasia", fenômeno do voto em Dilma para a presidência e Anastasia para o governo do Estado.
Minas Gerais elegeu Anastasia no primeiro turno, mas Dilma foi a mais votada no Estado para a presidência.
A campanha tucana tem se esforçado em conquistar esses eleitores, porém Lopes aposta que "os mineiros se identificam muito mais com o projeto de governo Lula e Dilma". Um maior engajamento de Aécio Neves na campanha de Serra é considerado fundamental para uma mudança neste quadro do primeiro turno.
Até mesmo os militantes verdes franceses lançam manifesto de apoio a Dilma:
Um grupo de ativistas e dirigentes dos Verdes franceses divulgou o seguinte manifesto em apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) à presidência da República:
"Prestemos bastante atenção ao seguinte: José Serra não é um social democrata de centro. Por trás dele, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades: preconceitos sexistas, machistas e homofóbicos, junto com interesses econômicos os mais escusos e míopes, diz documento assinado por ativistas como José Bové e Dany Cohn Bendit em apoio à candidatura de Dilma Rousseff".
No quadro das atuais circunstâncias do Brasil, a ancoragem na esquerda é a única possibilidade real de fazer avançar a causa ecológica
"É impossível acreditar que a esperança suscitada pelos dois mandatos presidenciais de Lula acabe terminando no segundo turno com a eleição do candidato da direita".
"É impossível acreditar que a esperança suscitada pelos dois mandatos presidenciais de Lula acabe terminando no segundo turno com a eleição do candidato da direita".
Na América Latina, da Colômbia ao Chile, e agora também no Brasil, para além dos diferentes contextos, as questões ecológicas entram definitivamente na pauta das eleições presidenciais, o que não é mais o caso na Europa. O Brasil é a sétima potência mundial. Nenhum europeu em sã consciência pode se desinteressar pelo que está em jogo para os destinos ecológicos e sociais do planeta.
Esta é a razão pela qual desejamos, através deste manifesto, expressar nossa inquietação. A batalha do segundo turno se anuncia bastante cerrada e, algo impensável até ontem, uma vitória da direita não está mais excluída. Na configuração de hoje, o Partido Verde está longe de ter a dimensão popular de Marina Silva. Algumas personalidades como Gilberto Gil, ele mesmo afiliado a este partido, conclamam a que se vote em Dilma sem ambiguidade. E nós compartilhamos desta posição. Prestemos bastante atenção ao seguinte: José Serra não é um social democrata de centro. Por trás dele, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades: preconceitos sexistas, machistas e homofóbicos, junto com interesses econômicos os mais escusos e míopes. A direita sai do porão.
Contra as mulheres, as facções mais reacionárias das igrejas cristãs – incluindo aquela da mulher do candidato da direita que declarou publicamente que Dilma quer assassinar criancinhas – acusam a candidata de ser favorável ao aborto, mesmo que esta questão não faça parte de seu programa de governo, tampouco do programa do Partido dos Trabalhadores.
Contra os homossexuais: o vice de Serra sustenta um discurso abertamente sexista e homofóbico.
Contra os pobres: acusados de votar na esquerda por ignorância.
A esta panóplia, bem conhecida em toda parte, vem se juntar uma criminilização particularmente ignóbil por parte da direita das lutas de resistência contra a ditadura. Dilma tem sido alvo de campanhas anônimas na internet que acusam de terrorismo e de bandidagem por ter participado na luta contra o regime militar, ela que foi por este motivo presa e barbaramente torturada.
A mobilização da direita está completamente ligada aos interesses do agro-negócio, um vínculo sobre o qual o governo Lula tem sido ambíguo em alguns momentos. No entanto, uma vitória da direita representaria o triunfo do complexo agro-industrial e dos céticos em matéria de aquecimento global. Seria uma guinada à direita em direção à revisão do estatuto da floresta que começou a limitar a devastação na Amazônia e no Mato Grosso, e no asseguramento dos direitos indígenas sobre suas reservas, que no ano passado obtiveram uma importante vitória (Raposa Serra do Sol) referendada pela Corte Suprema do país, que reconheceu esses direitos. Vinte e duas reservas indígenas podem seguir este caminho de enfrentamento com o agro negócio da soja e do arroz transgênico.
Não permitamos que o voto libertário em Marina Silva paradoxalmente se transforme em uma catástrofe para as mulheres, para os direitos humanos e para os direitos da natureza!


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